Pai, já se passaram dois meses...
Mas o tempo de fora é muito diferente do tempo de dentro!
As feridas ainda estão abertas, a dor ainda está na mesma
intensidade, as lágrimas ainda escorrem pelo meu rosto, todos os dias!
A estrada longa e de forte tempestade continua escancarada em
meus olhos. Acendo o farol e só consigo percorrer aquele único caminho.
A mãe e eu estamos mais unidas do que nunca. Somos uma só
pessoa compartilhando a dor de perder uma parte nossa. Você faz muita falta!
Algumas pessoas acham que eu deveria ser mais forte e reagir
mais rápido, afinal sou Psicóloga. Esqueceram-se da minha condição de gente. E
isso me deixa ainda mais triste.
Pessoas distantes se aproximaram. Pessoas próximas se
esquivaram. Alegam não ter coragem, não saber o que falar, não conseguem lidar
com a dor do outro... Sinto
tanta pena! Seres humanos pensam que sabem tudo e sequer sabem lidar com seus
próprios sentimentos!
Felizmente ou infelizmente estou aprendendo a separar os meus
diamantes e, peço a Deus, todos os dias, para que eu tenha paciência com os
julgamentos de quem assiste tudo de longe e acha que sabe de toda a história.
E assim, fujo quando preciso. Chego perto quando necessário.
Não está sendo fácil viver.
Também gostaria que acabasse pra mim.
Estou sobrevivendo no “piloto automático”, mas há tanta vida
lá fora!
Sinto medo de fazer planos futuros.
Estou insegura: que garantia eu tenho que não vão rabiscar
tudo de novo?
Pai és parte ainda do que me faz forte!
Te amo, para sempre!
Te amo, para sempre!
